quinta-feira, outubro 09, 2003

“Ser Poeta é...”



Ser poeta é descobrir
os caminhos intrínsecos
das pessoas que nos envolvem
com a leveza de uma brisa do outono...

Ser poeta é saber enxergar
a docilidade dentro das armaduras cotidianas...

Ser poeta é saber amar como se deve...

Amar alguém por ser livre, boa e compreensiva...

Ser poeta é sentir os chamados da vida
desabrochando por entre a confusão
dos dias ínfimos que nos atordoa...

Ser poeta é ter sempre um fio
de esperança para a felicidade...

Ser poeta é ter a sensibilidade
de arrancar um sorriso
de onde há muito não surgia
e ainda eternizá-lo com rabiscos no papel...

Ser poeta é amar como criança...

Ser poeta é brotar a adormecida lembrança...

Ser poeta é gritar aos mundos
o amor verdadeiro
e ser aceito e puramente reconhecido...

Ser poeta é sorrir nos piores momentos
da vida e transformá-los em lembranças coloridas...

Ser poeta é saber ser amado...

Ser poeta é ser músico, ator, escultor,
pintor, astrólogo e extravasar todos
esses sentimentos em harmoniosas palavras...

Ser poeta é ser tenro e eterno...

É não fazer nada fazendo tudo...

Ser poeta é viver a vida como ela é,
ora difícil ora fácil, mas sempre
tirar o melhor proveito de todas
as situações, sejam quais forem...

E para ser Poeta eternamente
basta um pingo de sensibilidade,
predisposição à felicidade
e ter, envolto nos braços e lençóis,
alguém tão bela e livre como você... ...

Fiquem em paz...
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quarta-feira, outubro 08, 2003

“Buquê de flores”




Oh! Doce regia, que enrubesce
as águas escuras do meu sonho,
levanta tuas orelhas para ouvir
a serenata sutil das borboletas...

Venha sentir o doce aroma
de liberdade que planto
com carinho para que possas
colhê-lo e fazê-lo de morada...

Oh! Doce canto que não cala,
palpita-me o peito pela lembrança,
vislumbro cada parte do seu corpo
com a imagem do orvalho por ele escorrendo,

vibrando em cada curva do seu sonho,
emudecendo em cada sorriso da saudade,
em cada brilho da verdade dos seus olhos,
em todo ato que se eterniza...

Oh! Doce regia, faz da minha vida fantasia,
reges como orquestra minha vontade,
ilumina com velas o meu caminho,
afaga meus sinceros sentimentos com música,
e faz da imagem do meu coração
um eterno buquê de flores para você...


Fiquem em paz...
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terça-feira, outubro 07, 2003

"Estou de volta"




Tento sempre com textos
mostrar a verdade do garoto sem coragem,
cabisbaixo e solitário...

Fico tentando camuflar minha tristeza imensa,
fico tentando me aparecer por todos os lados,
subo aos palcos, pois preciso de luz
para continuar vivo...

Sem vontade....

De nada...

Estou rancoroso por sentir tanta angústia,
as repetições ocorrem a todo momento
na minha escassa vida,
esqueço-me de tudo por achar
que não terá serventia a minha lembrança...

Acordo aqui e na realidade,
vejo-me completamente doado e sugado
até o último fio de cabelo de energia,
não poupam e não percebem o porquê faço isso...

Eu quero só cantar,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só voar,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só partir,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só sorrir,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só amar,
quero deixar de ter que até isso disputar com o aquém...

Quero viver em paz, mas não me deixam tê-la,
quero deixar de dizer “quero” e escrever coisas coerentes,
mas só consigo pensar e pensar e pensar e pensar nisso,
nessa dor que inverte as minhas virtudes
e me faz um fraco ditador de palavras,
acabo com isso decepcionando as almas
que rezam e ajudam-me nessa jogatina barata e suja que é viver....

Cansei, só isso....

Cansei de fazer papel,
de ser o "perfeitinho",
de tentar compreender,
de ser calmo,
de ser leve,
quero dar porrada em quem merece também,
quero xingar quem tem que ser excomungado,
tenho que ser e ter o que foi quisto pelos antepassados meus,
quero deixar de alucinar ouvidos alheios com papo tão bizarro,
quero apenas flanar pelas penumbras dos meus sonhos,
eles são líricos,
eles são doces,
eles são belos como sorvete,
eles são puros como recém-nascido,
e não me enganam,
e não mentem à mim,
atende aos meus pedidos,
aos meus desejos,
as minhas súplicas,
atende por entender que quero pouco,
um pouco de papo barato,
um pouco de desejo repentino,
um pouco de falsidade e crueldade,
um pouco de verdade e sensibilidade,
tudo para que eu possa,
no meio da madrugada perceber que tenho sono
e não ter a consciência pesada,
saber que poderei ir dormir sem ter dó de mim mesmo,
dos meus atos do dia,
dos meus surtos da semana,
das minhas lamúrias do mês,
saber que poderei deixar rolar a última lágrima
e saber que ela será a separadora de épocas
da minha sabedoria com minha indecência....

Algo que não sei explicar....
Algo que não sei dizer reina no meu coração....

Ontem mesmo era amor....

Hoje???
Não sei o quê...........


Fiquem em paz...
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